Ser mãe no século XXI
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Ser mãe no século XXI

Posted by: Corre Cutia

É inegável que a maternidade é uma experiência única na vida de uma mulher, mas diferente do que a sociedade e a cultura, que tende a romancear essa experiência, falam sobre a maternidade, ser mãe não representa uma tarefa fácil.  Recentemente, presenciei uma situação que me fez refletir sobre a forma como as mulheres vivenciam a maternidade nesse século.

“Minha dor é perceber que apesar de tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”.

Foi esse refrão da música de Elis Regina que insistentemente soava na minha mente quando presenciei uma amiga ser duramente criticada por um grupo de mulheres indignadas com a sua decisão de não amamentar mais o filho, enquanto carinhosamente alimentava seu bebê de apenas quatro meses com uma suculenta mamadeira.

Vivemos em uma época em que não existem mais na sociedade referências claras que nos orienta em relação aos vários papéis que vamos assumindo ao longo da vida, dentre eles, a maternidade. As mulheres hoje enfrentam o desafio de construir a sua maneira de exercer a maternidade e educar seus filhos. Diferente do que acontecia com nossas avós que eram orientadas por referenciais sociais claros que revelavam para elas como deveriam agir para exercer a maternidade com competência, nós, mulheres desse século, não encontramos mais na sociedade esses referenciais. O que nos coloca diante de um desafio. Por outro lado, a ausência dessas referências propicia às mulheres a liberdade de construir sua identidade como mãe de uma forma mais autêntica e verdadeira, podendo abdicar de responder ao mito do instinto materno que no passado influenciou o entendimento que as mulheres tinham do que era ser mãe e a forma como exerciam a maternidade.

Aprisionadas a uma imagem socialmente construída da mãe que ama seu filho incondicionalmente, nossas avós não podiam sequer admitir a presença do turbilhão de sentimentos contraditórios que a maternidade desperta. Afinal, não lhes foi dado o direito a escolha, assim que seus filhos nasciam, tinham que responder a todos os ditames sociais que definiam o que era ser uma boa mãe. O que numa sociedade como a nossa, em que os ideais e a tradição perderam sua força, não deveria acontecer.

No entanto, cenas como a que descrevi se repetem cotidianamente, nas praças, nas festinhas infantis, nas maternidades, nos shoppings, onde quer que você esteja com seu filho sempre haverá alguém para avaliar, julgar e criticar o seu comportamento como mãe, agindo como se ainda existissem parâmetros sociais rígidos que definem o que é ser uma boa mãe.

Em pleno século XXI, as mulheres parecem não gozar da liberdade conquistada através dos movimentos feministas, da revolução sexual, do advento da pílula anticoncepcional, dos leites em pó, da cesariana, que nos coloca diante de um universo de possibilidades. Há mulheres que ainda insistem em criar parâmetros e condenar aquelas que não se orientam por eles, deixando, assim, de desfrutar do direito adquirido com essas conquistas de encontrar a sua própria forma de ser apenas uma boa mãe para seu filho.

 

Marina 1

Marina Otoni é psicóloga clínica, atende em consultório particular desde 2002, professora e palestrante de temas relacionados à infância, adolescência, família e maternidade. Para entrar em contato, envie um email para marinasoaresotoni@gmail.com

 

 

 

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